Como escritor amador e iniciante, habituei-me a ver tudo como enredo e todos como personagens. A vida me pode ser resumida em papel e lápis.
Assim sendo, hoje passo a escrever um novo livro. Encerrei o que continha o título "2011". Foi uma história difícil. Vi a fundo alguns sentimentos e emoções que nunca pensei. Foi bom pelo meu crescimento interior, mas foi uma história que exigiu muito da minha paciência.
Hoje começo um novo capítulo de um novo livro.
Chama-se "2012". Tenho grandes propostas para este um.
Começo a escrever sob o aroma frio da mudança. Cheira bem. Me faz bem.
A mão corre livremente pelo papel desenhando as pequeninas letras do meu ânimo.
Meu último livro foi narrado aos prantos, escrito com sangue e lágrimas.
Meu novo livro é banhado a ouro, escrito em naquim sobre o papel virgem.
Que farei com no decorrer da história, só o tempo dirá. Contudo,
posso assegurar que este novo livro promete tempos de alegria plena.
Um belíssimo novo livro a todos!
Era uma vez, um ano novo.
Author: Silvair Junior /Adeus ano velho. A Deus, ano novo.
Author: Silvair Junior /Adeus ano velho!
Otto e os Quatro Irmãos - Capítulo um
Author: Silvair Junior /16-11-10
Author: Silvair Junior /Não me lembro com exatidão
de algum momento em que sua mão
agarrei para que minhas pernas tortas
não me levassem ao chão.
Nem sei se minha dor
pode se equiparar à dos frutos do seu ventre
sendo eu apenas o rebento de um deles.
Não me lembro de ter trocado
um um par de palavras sobre a vida.
Hoje troco-as comigo mesmo, sobre a morte.
Por mais estranho que seja,
não me lembro de seu rosto
mesmo ele me sendo tão recente.
Perdão por eu apenas poder
me lembrar deste dia.
Perdão por ter como lembrança sua
este único dia.
Este chuvoso dia
em que o céu ganhou mais uma estrela
brilhante
e fria.
Manhosa manhã
Author: Silvair Junior /Dia após dia vou vivendo
nunca sabendo no que vai dar.
Vivo de epítomes, vivo de momentos,
mas de epítomes nunca entendendo,
embora sabendo que o fim há de chegar.
Levanto de dia, embora não acorde,
ou mesmo suporte aquela cantoria
dos pássaros despertos, despertadores.
Levanto cheio de dores
da noite mal dormida.
Ao som dos despertadores, que fome.
Preciso de comida!
O chão frio, enregelante
desde meus tempos de infante,
rouba-e o pouco calor dos pés.
Queria estar calçado ao invés,
porém, nunca me lembro de fazê-lo,
mesmo depois de todo zelo
de mamãe ao colocar para mim
as chinelas aos pés da cama.
O sol fustiga pelas janelas como chama
minhas pálpebras, fechadas como portas.
Quero ver o dia, apreciá-lo
ou talvez agir como quem se importa.
Quero mais molhar o sol. Apagá-lo.
O café quente exalando cheiro forte,
insolente sinto-me
por quem não tem a mesma sorte.
Em aprumo,
faço da saída o rumo,
do mundo, o objetivo,
do dia a dia, incentivo.
Às vezes nada.
Às vezes sumo...
Palco de todos
Author: Silvair Junior /A vida é sim esse eterno espetáculo.
Escolhe os atores ao acaso
enquanto ficamos desejosos pelo papel de protagonista.
Os atos se sucedem em destoante consonância,
o fim submete o começo,
o meio se faz síntese e antítese dos companheiros.
A leveza da comédia se desvela e se anula na gélida tragédia,
altos e baixos se fazem texto narrado pelo destino,
a máscara crua protegendo a carne nua da realidade,
a pesada roupagem retendo o suor lacrimoso.
E assim a vida faz sua arte...
Faz de nós fantoches.
Manipula, usa, abusa, descarta
Confusa.
Já escreveu tantos romances incertos
que amar tornou-se antes uma palavra
que uma emoção.
Já negou tanto a seus artistas
que atuar tornou-se antes uma sobrevida
que uma dádiva, um dom.
Quem nasce para a arte,
se do amor quer ter parte,
antes inventa-o.
Idealiza-o.
Torna-o palpável e quase degustável.
Não adianta colocar num diálogo
quem nasceu para solilóquio.
Contracenar musa e admirador,
em que musa vive sorrindo,
e admirador morre chorando.
Eis que a vida festeja o público,
não quem o atraiu.
Se da vida quer um aparte,
antes da arte,
traz o casco que haverá de lhe abater as chicotadas.
Para participar do espetáculo da vida,
sofrer se faz a taxa de inscrição.
Conquista
Author: Silvair Junior /Fico no aguardo do dia em que meu fardo
far-se-á ao largo.
Poder, não posso pedir tal blasfêmia.
É que de fardo vivo para ao largo fazer-me
Viver de inércia seria, deveras, pior.
Fico no aguardo daquele beijo
que acabará por fenecer
o senso do real,
desvanecer da vida o que é mortal.
Algum igual? Nunca tive.
Dos vários, sequer um semelhante.
Fico no aguardo do dia...
Ah, do dia que fará de todos os outros
continentes à deriva.
Do dia que fará o passado invejar o presente,
pensar no que seria.
Fico no aguardo do sorriso que
mesmo omisso brilha tal qual
a primeira estrela da noite.
Que açoite é esperar por esse sorriso.
Fico no aguardo do calor, quem sabe, humano,
embora eu espere um engano da vida,
que me mande um calor etéreo,
que acabará por fazer de mim, mistério.
Um calor que emane de dentro
e percorra todo o verbo que de minha mão sair.
É que de aguardo, de fardo e de criar eu vivo.
O que há além do que conheço
vem como dádiva:
tenho.
Mereço?
E agora?
Author: Silvair Junior /E quando chega o fim?
O triste (?) fim de Cícero
Author: Silvair Junior /Contarei agora a curta vida de Cícero:
Cícero, um garoto de sonhos poucos, mas bastos.
Garoto. Nem adulto chegou a ser.
Andava tão a esmo que seguia a própria sombra para ter quem lhe desse um rumo
Cícero gostava do cheiro de terra molhada, "quantos tiveram que chorar para que chovesse tanto?", perguntava-se.
Gostava de pintar, "quantas primaveras tiveram de ser encapsuladas nestes lápis para que eu tivesse essas matizes?", perguntava-se.
Amou pouco, mas amou muito. Acreditava na eternidade efêmera e na efemeridade eterna.
"Casarei? Terei filhos? Gêmeos? Feliz, serei? Cumprirei tudo o que falei?"
Ah, mas Cícero era tolo. Achava que sabia tudo, mas sequer sabia o que era tudo.
Quantos mais olhava para as estrelas, e assim, julgava possuí-las, mais elas fitavam-no com piscadelas de deboche. Sabiam o que se seguiria.
Cícero gostava de sentir. Qualquer coisa. Dor, calor, amor, terror...
Tinha que sentir para seguir.
Quando não sentia, inventava e seguia.
Adorava dias acinzentados, "estando tudo sem, a cor fica sob meu encargo", dizia.
Criava mais nos dias amenos, nos dia frios, nos dias sem cor.
Fazia das suas criações um pincel celeste.
Num dia excepcionalmente cinza,
Cícero sentiu como nunca,
importou-se como nunca,
lembrou-se de tudo,
de todos,
recordou-se do que disse,
do que não disse,
do que poderia ter dito.
O coração que a vida lhe manteve, assim a tirou.
Parou de bater, obstruído por pensamentos.
Pobre Cícero...
Se ele soubesse que era mais fácil viver uma vida vazia,
talvez nunca tivesse sentido nada na vida...
Eu digo sim!
Author: Silvair Junior /Para a chuva de verão refrescando a pele quente,
Estranha normalidade
Author: Silvair Junior /Me disseram porém, que para ser normal,
basta não ser estranho.
Prima Vera
Author: Silvair Junior /Canto com a voz baixa, quase que esvaída.
Ando por baixo do céu contando as estrelas
refletidas nas poças d'água.
Ou não estaria eu andando por debaixo do chão
contando as poças d'água refletidas nas estrelas?
Voo baixo.
Nem asa tenho.
É sensação da liberdade que nunca tive,
da mortandade que nunca vive,
da vivacidade que nunca morre.
É que tornou-se a vida tão errante
quanto as pétalas fenecem após a primavera.
Prima Vera mal sabe que o verão já vai surgindo.
Mal sabe ela que por noites sonho com ela,
pernoites dedico a ela.
É que ver, sentir e até mesmo rir já
não mais pode satisfazer-me.
Quero mais.
Prima Vera mal sabe que nem existe,
é só um triste pensamento meu.
Prima Vera mal sabe que enquanto canto,
enquanto ando,
enquanto voo,
ressoo os sons de outrora.
Daquela outra hora,
daquela ínfima e estúpida hora
em que tudo parou de fazer sentido.
Onde já se viu céu ter estrelas?
Um dia
Author: Silvair Junior /Um dia, talvez, eu veja o que
um dia quis ver.
Um dia, quem sabe, eu ame de novo quem
um dia amei.
Um dia, queira Deus, farei aquilo que
um dia desejei fazer.
Um dia qualquer tornar-se-á aquele
um dia que sempre esperei.
Um dia, de repente, deixará de ser
um dia para ser um eternamente.
Um dia serei feliz não do jeito que fui
um dia, mas de um jeito inconsequente.
Um dia a mais,
um dia a menos.
Um dia insólito,
um dia ameno.
Um dia grandioso,
um dia sereno.
Um dia sou isso,
um dia sou aquilo.
Um dia, não mais que
um dia...
Um dia é o que preciso para saber que
um dia não é suficiente.
Um dia me vejo aqui,
um dia me vejo acolá.
Um dia, quem sabe, eu não viva de amores de
um dia.
Um dia foi-se minha cantoria,
um dia ela voltará.
Passou-se um mês.
Ainda não sei o que fazer dos
meus dias...
Escrever, crer, ver.
Author: Silvair Junior /
A ponta do lápis atrita no papel virgem: eis o começo de tudo.
O lápis vai e vem, rodeia, tamborila, risca, rabisca, rasura...
Clausura! Disto sim eu preciso pra criar.
Física? Nem sempre. A mental é melhor.
Enclausurar tudo o que não vale o tempo perdido
pegar tudo o que vale e compactar naquela mínima
ponta do lápis fazer sair organizado.
Ou não. Ou sim. Sim?
Quem disse que verso é organização?
Não comecei a escrever estando em ordem com a mente,
é justamente por estar em constante conflito que preciso
desse mesmo lápis, agora com a ponta começando a arredondar,
para reordenar tudo.
E o nada também.
Agora o luxo morto inacessível a nós vivos:
apagar.
Apagar o que foi escrito. Não se encaixou.
Aceito a desordem, mas uma desordem aprazível.
Ou não.
Talvez eu devesse apagar todo este um.
Não está aos meus olhos agradando.
Quem disse que verso é pra ser bonito?
Verso é pra ser lido.
Quem disse?
Diga isto àquela garota que neste momento
está trancada no quarto rimando secretamente os adjetivos
do seu amado.
Diga isto àquele garoto que está trancado no quarto
secretamente musicando os adjetivos de sua amada.
Alguém diga isto aos dois pelo amor de Deus!
Talvez eles nem sabem que se amam.
E eis que a ponta do meu lápis está muito arredondada.
Agora não acho meus versos bonitos nem de conteúdo
nem de aparência.
Enquanto torno o grafite afiado novamente,
furo o dedo acidentalmente.
Que tanto "mente"!
Isso é coisa de gente
que nem sente que tem em mente
o inconsequente, o irreverente e o inconveniente
ali, inerente ao ser decadente.
O lápis vai e vem...
vem e vai...
Mal sabe ele que temos tanto em comum.
Estamos no mesmo planeta, estamos vivos.
E quem disse que lápis é algo vivo?
Ora, não viu tudo o que ele acabou de fazer?
Escreveu isso tudo e ainda tem que ser considerado morto...
Que abuso.
Mas quem escreve é o escritor, não o objeto.
Ignorância.
Você é escritor, você sabe melhor do que eu.
Eu? Escritor? Terei que riscar muito papel ainda pra me tornar um,
mesmo assim, eu acho um lápis tão humano quanto nós.
Como assim?
Eu explico se você disser para aquele jovem do qual falei anteriormente
parar de lançar acordes aleatoriamente na busca da melodia perfeita.
Está me dando nos nervos.
Tudo bem.
Podemos então?
Sim.
Um lápis. Ah... um lápis.
Eu poderia escrever uma ode a ele e com ele. Não é extraordinário?
Não é isso tudo. Ainda não estou convencido.
Veja só: o lápis é essencialmente manipulado,
serve até a exaustão,
é achado com a mesma rapidez com que é perdido e,
como todos nós, finito.
Só por isso?
Não, eu o acho até mais digno.
Mas como?
Ora, ele começa grande. De grandes ideias,
de grandes expectativas.
O normal é, conforme é gasto, as ideias diminuírem.
O lápis não. Escreve as mais lindas poesias
independente do quão gasto esteja.
Por fora é um lápis gasto, por dentro, o mesmo lápis
que sempre fora.
Entendo.
Mesmo?
Sim.
Claro que não!
Entendo sim.
Quem disse que poesia foi feita pra ser entendida?
Nem pra ser lida é...
Oi?
Você ainda está aí?
Ora veja só.
Eis que minha consciência veio
tão rápido quanto a velocidade deste lápis e assim se foi.
Talvez eu devesse apagá-la, mas...
Como então iria então meu lápis escrever?
Escrever é uma eterna batalha de si contra si mesmo.
Uma batalha em que o medo sempre perde, embora não haja ganhadores.
É mais que um dom e menos que um privilégio.
Escrever é se perder num mar de palavras
esperando ser por alguém encontrado.
Serei eu escritor? Perdido estou, é bem verdade.
Sei que escrever é até simples:
pega-se um papel, uma lápis e uma borracha
(para mostrar para a vida o poder que ela não tem).
Depois, risca-se até sair algo de bom.
Ou de ruim.
Ou nada.
Sei que escrever é como fazer amigos:
é sem jeito no início, embaraçoso.
Às vezes espontâneo e inesperado.
Com o tempo, surge dali um entrosamento.
Dali, um cotidiano.
Dali, uma dependência.
Dali, uma amizade.
Dali, o poder de fazer novas amizades.
Dali, fazer o processo todo de novo.
Dali, sentir aquele apego aos primeiros e velhos amigos,
às primeiras velhas poesias.
Dali, refazer todo o processo.
Dalí não era um pintor?
O papel acabou.
Todo e qualquer espaço foi preenchido pelo negrume do grafite.
Poderia eu apagar este um.
Recomeçar.
Refazer do zero.
Mas que tipo de pessoa seria eu se apagasse os velhos versos?
Do papel sim, da mente não.
Posso eu apagar mil poemas do papel sem apagá-los da memória.
Lembro-me de cada um que escrevi,
lembro-me daqueles que não escrevi por que não queria
que meus olhos vissem o que estava em minha mente.
Lembro-me até de como comecei este um.
Um lápis e um papel.
Será que não foi assim que a vida começou?
Tempo
Author: Silvair Junior /Quero que o tempo passe rápido, mas não quero que passe nunca. Quero saber como será o amanhã, mas não quero abandonar o que é hoje. Quero saber se os amigos de hoje serão os mesmos amanhã, mas não quero propôr apostas que podem levá-los antes do previsto. Quero saber o que serei na vida, mas não quero abandonar essa excitação pela expectativa. Quero me emocionar hoje por coisas bestas, mas não quero que amanhã elas me façam besta e não me emocionem mais. Quero um amor de ontem, mas o quero hoje para vivê-lo até amanhã. Quero uma manhã tenra, mas quero que à tarde eu esteja leve para noite. Quero filhos, mas não quero que eles sejam como eu sou, ou como serei. Quero felicidade, não efemeridade, quero ontem hoje e amanhã, uma feliz idade.
Que tamanho queres ter?
Author: Silvair Junior /Ser do tamanho dos seus sonhos. Que é isso?
Fazer do sol uma faísca
fazer do dia um ato efêmero
fazer da vontade o feito
fazer do feito, efeito.
Fazer do fazer, ser
e ser mais do que se pode fazer.
Fazer da contradição, ação
do inóspito, propósito
do que fere, fé
do que prefere, definitivo.
Ser do tamanho dos sonhos
é ser do tamanho da felicidade.
Verdade.
Faz sina
Author: Silvair Junior /Saudo as vísceras de minha recatada vida!
Isso porque eu e minha vida somos almas diferentes,
isso porque eu e minha alma somos vidas diferentes.
Saudo minha existência de epítomes,
de sístoles,
de diástoles.
Saudo as coisas puras.
É que as aprecio como quem contempla o sol nascente,
saudo as coisas impuras por consequência.
É que delas me valho para ter referência.
Saudo as rimas que a este desatina,
concretizando assim minha sina de cantar o que é belo
saudar o que é singelo, tomar a vida por flagelo,
a vida por esvaída, o amor por uma sobrevida.
Saudo meus olhos, não por serem meus,
mas pelo que veem.
Embora odeiem metade do que chega à retinas.
Ora, a mim tudo fascina,
há o que me fere, não que eu espere partir sem feridas.
As feridas de uma vida esvaída.
Eis que já me vejo saudando demais.
Espero agora quem ou o que me saude,
aguardo no cais.
Espero não esperar demais.
Reciprocidade, cumplicidade.
Sem mais.
Lenda(?)
Author: Silvair Junior /Uma vez foi contada uma história. Não uma história comum, aliás, nem mesmo história era. Era uma aflição. Uma aflição que tentaram com todas as forças demoníacas existentes em todos os infernos descerem pela garganta de uma história. E conseguiram.
Contou-se nesta vez que um garoto, não mais que isso, decidiu a duras penas... Viver. Gostraia de apenas ter gasto todos seus estúpidos minutos com cantigas de roda ou pisoteando algum inseto, mas, ao invés preferiu viver. Sabia no que aquilo poderia acarretar. Se sabia.
Tinha os pés cravados no chão. Era uma dor lancinante. A terra pressionava seus tornozelos com tal força que o garoto sentia os tendões serem esmagados contra seus ossos fracos. tentava mexer os dedos na esperança de que a terra se sentisse incomodada com aquelas cócegas e o largasse enfim, mas, ela ria dele. Ria-se de ter um garoto preso em sua essência.
O garoto cambaleou e caiu de frente. Os pés não cederam. A terra não cedeu. Seus joelhos não aguentaram aquilo e inverteram-se. O pobre garoto pôde ouvir o som de seus ossos se quebrando, mesmo sob seus gritos incansáveis de dor.
A terra foi entrando lentamente pela boca ensanguentada do garoto. Não havia nada que ele pudesse fazer. Seus olhos eram vagarozamente tomados por aquela terra úmida e infestada de vermes.
Sentia sua carne sendo penetrada por ínfimos grãos da terra. Aquilo doía. Não uma dor forte, mas, suficiente para que o garoto quisesse a morte mais do que respirar.
Enquanto era devorado pela terra agora besuntada por seu sangue, tentava lembrar dos momentos felizes que teve. Tentava, mas, não conseguia. A terra já havia cmoido por inteiro seu cérebro. Ergueu a cabeça para ver o que ainda restava de seu corpo, mas, não conseguia. A terra já havia devorado seus olhos.
Pedaço por pedaço de carne inocente, o garoto foi por inteiro devorado e digerido por vermes vorazes.
Contou-se esta aflição sem que agradasse a um só ouvido.
Tentou-se transformá-la em história, para ver se a alguém agradava. História se fez, mas, ainda assim não conseguiu agradar ninguém.
Tudo por que conta a história de um garoto que tentou viver e... Falhou.
Não requer título
Author: Silvair Junior /Mais que uma ânsia, minha ganância é amor.
Amor desmedido,
dedicado a algo que não deve ser amado.
Mais que apreço,
meu amor é ganância.
Ganância desmedida,
dedicada a você, que nunca deveria ter sido amada.

