Dia após dia vou vivendo
nunca sabendo no que vai dar.
Vivo de epítomes, vivo de momentos,
mas de epítomes nunca entendendo,
embora sabendo que o fim há de chegar.
Levanto de dia, embora não acorde,
ou mesmo suporte aquela cantoria
dos pássaros despertos, despertadores.
Levanto cheio de dores
da noite mal dormida.
Ao som dos despertadores, que fome.
Preciso de comida!
O chão frio, enregelante
desde meus tempos de infante,
rouba-e o pouco calor dos pés.
Queria estar calçado ao invés,
porém, nunca me lembro de fazê-lo,
mesmo depois de todo zelo
de mamãe ao colocar para mim
as chinelas aos pés da cama.
O sol fustiga pelas janelas como chama
minhas pálpebras, fechadas como portas.
Quero ver o dia, apreciá-lo
ou talvez agir como quem se importa.
Quero mais molhar o sol. Apagá-lo.
O café quente exalando cheiro forte,
insolente sinto-me
por quem não tem a mesma sorte.
Em aprumo,
faço da saída o rumo,
do mundo, o objetivo,
do dia a dia, incentivo.
Às vezes nada.
Às vezes sumo...
Manhosa manhã
Author: Silvair Junior /
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