Faz sina

Author: Silvair Junior /

Saudo as vísceras de minha recatada vida!
Isso porque eu e minha vida somos almas diferentes,
isso porque eu e minha alma somos vidas diferentes.
Saudo minha existência de epítomes,
de sístoles,
de diástoles.
Saudo as coisas puras.
É que as aprecio como quem contempla o sol nascente,
saudo as coisas impuras por consequência.
É que delas me valho para ter referência.
Saudo as rimas que a este desatina,
concretizando assim minha sina de cantar o que é belo
saudar o que é singelo, tomar a vida por flagelo,
a vida por esvaída, o amor por uma sobrevida.
Saudo meus olhos, não por serem meus,
mas pelo que veem.
Embora odeiem metade do que chega à retinas.
Ora, a mim tudo fascina,
há o que me fere, não que eu espere partir sem feridas.
As feridas de uma vida esvaída.
Eis que já me vejo saudando demais.
Espero agora quem ou o que me saude,
aguardo no cais.
Espero não esperar demais.
Reciprocidade, cumplicidade.
Sem mais.

1 comentários:

Silvair Junior disse...

Título por Beatriz Chaves.

Postar um comentário