Lágrimas do Sol

Author: Silvair Junior /

Pare um pouco em pense no que você fez até hoje.
O que disse, o que pensou, o que quis fazer e o que teve medo de pensar.
Agora pare por mais um instante e pense em que tudo isto contribuiu para
que você fosse quem é hoje.
Vi sóis se porem e minha vida esvair-se junto deles,
Vi luas mostrarem suas várias faces e com elas levarem as minhas,
mas que infortúnio o meu: a lua tem várias faces e ainda é lua.
E eu? Também tenho faces, mas ainda não sei qual é a minha.
Não posso afirmar que eu continuo eu.
Já chorei demais por coisas de menos.
Já ri demais por muito menos.
Já fiz o sol  nascer à minha janela e ninguém percebeu.
Dane-se, o sol era meu. Eu o fiz nascer. Isto basta.
Mas fiz também ele se pôr no horizonte de meus devaneios.
Fiz de minhas tristezas as nuvens que encobriram o astro-rei da minha felicidade
na mais turbulenta tempestade do meu desespero.
Já chorei demais.
Um dia talvez farei o sol nascer de novo e não permitirei que se ponha.
Farei um dia, ser o dia, como quem sempre podia viver o dia.
Hoje ainda me ponho a pensar no que eu fiz e pensei
e em como tudo isto contribuiu para tornar-me quem sou hoje.
O que consegui nesta tarefa incessante foram algumas lágrimas.
Lágrimas que banham meu sol.
Hoje, meus olhos estão secos.
Não porque eu não chore,
mas, por chorar de mais.

Vida

Author: Silvair Junior /

Agora, menino, agora temos que viver. Deixa tudo de fora, tudo. E conserta o teu telhado, que já começa a chover…
Pablo Neruda