Otto e os Quatro Irmãos - Capítulo um

Author: Silvair Junior /


Capítulo um
Sinais





Era um dia calmo. E só. Não era um dia que aparentasse querer ser lembrado por algo e, num dia como esse, Deneb se achava sentado sob a sombra de um dos pinheiros que compunham sua floresta.
As árvores tinham certa distância umas das outras, o que permitia que se fossem observadas áreas onde o sol alcançava sem impedimentos o gramado muito verde, conferindo uma luminosidade esverdeada ao ambiente sob ele.
Sem qualquer aviso ou sinal, nuvens espessas e carregadas encobriram o sol de tal forma que o dia verteu-se em quase noite. Uma ventania intensa se abateu sobre a floresta e seus arredores, se estendendo por milhares de quilômetros. Alguns dos pinheiros eram arrancados pela raiz como se fossem apenas velas de aniversário fincadas num bolo.
Mais repentinamente ainda, começou a chover como nunca havia chovido. Gotas volumosas de água golpeavam o corpo de Deneb, contudo, ele sequer movia um músculo diante de tudo o que estava acontecendo. Permanecia sentado, envolto em seus pensamentos enquanto sua roupa encharcava.      


Antes que se pudesse notar, todo aquele caos havia cessado.  O sol estava novamente iluminando aquele dia que estivera calmo até aqueles eventos ocorrerem. Um calor insuportável chegava a quase sufocar o homem sob a árvore.
Logo em seguida, um forte tremor fez com que mais algumas árvores que resistiam de pé despencassem ao chão, inclusive aquela cuja sombra protegia Deneb. Ele foi obrigado a abrir suas longas asas e voar para esquivar-se do enorme tronco que ameaçava sua vida.
O tremor cessou. O calor amenizou-se.
Cabelos curtos, fios grisalhos perdidos nos castanho-acinzentados. Olhos tão azuis quanto o céu que contemplavam, roupas simples e humanas, aparentando apenas a “meia-idade” terrestre. Este era Deneb. Um espírito herói de guerra, cansado e abatido. As longas asas exibiam o que pareciam ser áreas queimadas. A asa esquerda possuía um espaço vazio bem ao centro, permitindo ver o outro lado. Os braços eram cobertos por inscrições de caligrafia fina e por desenhos estranhos. A certa distância, as tatuagens pareciam ser alguma camada escura de fuligem em sua pele.
─ Não vejo isso acontecer desde... desde... ─ Deneb interrompeu a própria fala grave e rouca quando se lembrou de tempos remotos. Tempos que temia lembrar, e mais, temia revivê-los. Algo não estava bem. E ele sabia melhor do que qualquer outro que aqueles eventos estranhos, eram sinais de que tempos perigosos eram iminentes.
Com as longas e maculadas asas, Deneb projetou-se para o ar o mais alto que pôde e fez um movimento displicente de mãos, fazendo algumas nuvens acinzentadas aparecerem e se juntassem imediatamente sobre sua cabeça. Em seguida, elas abriram-se numa espécie de portal circular no qual Deneb entrou rapidamente, saindo num lugar completamente diferente de onde estava.
Com imponência, ele desceu flutuando lentamente até o chão. Estava numa cidade que não se assemelhava em nada às cidades no planeta Terra. As casas eram dispostas ora em círculos, ora em triângulos. Algumas até nem seguiam padrão algum, eram apenas justapostas ou apinhadas. Os prédios não tinham fim, uniam-se a superfície arroxeada do céu. Perto dali, um prédio era retorcido num arco que ia quase que de um extremo a outro da cidade.
─ Olhe só quem veio visitar a cidade depois de tantos anos! Deneb! ─ disse um homem gordo e baixo logo atrás de Deneb, com uma alegria que se podia quase sentir.
─ Baham! Faz tanto tempo desde a última vez que nos vimos! ─ respondeu Deneb dando um caloroso abraço no homem que o cumprimentara.
─ Que bons ventos o trazem até Angra tão repentinamente? ─ perguntou Baham.
─ Receio que não fui trazido até aqui nem por uma brisa solitária de boas notícias... aliás, trago notícias terríveis... ─ disse Deneb com o semblante exibindo preocupação.
─ Ora, meu amigo! O que há de tão grave? ─ perguntou Baham mais uma vez.
─ Bom... indo direto ao ponto, acredito que estamos prestes a enfrentar uma guerra como a que enfrentamos naquela vez em que eu... ─ Deneb parou de falar. As lembranças em sua mente o obrigaram mais uma vez a calar-se
─ Deneb, não se culpe. Já faz muito tempo. E no final das contas, você só tentou ajudar. Fez o que precisou ser feito. Essas marcas que você carrega no corpo e nas asas são marcas não de guerra, mas, de heroísmo. Você ajudou a salvar este lugar ─ falou Baham tentando consolar Deneb.
─ A última vez que aconteceu foi aqui. Aqui onde há espíritos treinados para situações de risco, mas, temo que desta vez o campo de batalha seja um planeta muito mais frágil: o planeta Terra ─ disse Deneb, que prosseguiu o assunto diante da face de espanto e preocupação estampada no rosto de Baham. ─ Dessa vez, seres humanos sofrerão as consequências de mais uma de nossas guerras. Não há como os humanos suportarem o que está por vir... tenho que avisar ao conselho para que eles tomem as devidas providências.
─ Você vai avisar ao mesmo conselho que começou isso elegendo aquele bando de gananciosos e arrogantes? ─ perguntou Baham indignado.
─ Não há alternativa. Eu estou fraco demais para resolver tudo sozinho e, mesmo que estivesse forte, a menos que eu fosse convocado, eu não poderia me aventurar numa batalha sem autorização ─ respondeu Deneb.
─ Faça o que achar correto, meu amigo, eu o apoiarei no que precisar, mesmo que você esteja indo de encontro justamente aos culpados por tudo isso estar acontecendo de novo ─ concluiu Baham despedindo-se de Deneb, que levantou voo novamente.
Enquanto voava, passava por algumas casas ainda mais estranhas: eram inseridas no chão, de modo que o bairro todo delas parecia ser um vão na cidade com desenhos de casas vistas de frente. Bem na hora, um homem magro e velho abriu a porta de sua casa fazendo parecer que ele estava saindo de uma escotilha, abriu suas asas e voou na direção contrária a Deneb.
Quanto mais Deneb se aproximava do centro da Cidade, mais via o movimento de espíritos e espíritas voando para todos os lados.
Deneb pousou na frente de um majestoso palácio de mármore bege. Era tão alto que parecia unir-se ao céu arroxeado e tão imponente que sugeria a qualquer desavisado que não era qualquer um que entrava nele. O espírito materializou uma chave dourada adornada com pequenas inscrições parecidas com os desenhos nos seus braços, e a introduziu numa pequena fechadura que surgiu no chão. Ele girou a chave e afastou-se um pouco, pois, o chão cedeu formando o que parecia ser uma entrada subterrânea para um porão. Deneb entrou descendo a escada que se formara e se viu num longo corredor de luminosidade azulada. No teto, incontáveis salamandras eram responsáveis pela iluminação do local. Ao se olhar para o teto, elas aparentavam ser pequenas luzes de neon em constante movimento.
O homem seguiu andando até o fim do longo corredor e se deparou com uma enorme águia de pedra que, ao ser tocada pela mão de Deneb, ganhou cores e vida. Suas penas eram negras como a noite, seu bico possuía um brilho acobreado e os olhos lembraram dois rubis.
─ Identifique-se, visitante ─ ordenou a águia com uma voz fantasmagórica.
─ Deneb, filho de Capricornus, mestre condecorado por Omnimodus, ex-irmão, representante da Terra ─ respondeu Deneb.
A águia desapareceu em meio a uma fumaça negra revelando um portal. Deneb passou por ele e chegou a um grande salão de mármore extremamente polido, que estaria vazio se não houvesse apenas uma mulher ranzinza e solitária com os pequenos óculos equilibrados na ponta do fino e adunco nariz, sentada fazendo anotações nos inúmeros papéis sobre sua mesa.
─ Olá... eu queria falar com o... um momento. Desde quando você trabalha aqui? ─ perguntou Deneb um tanto confuso.
─ Bem, desde que o conselho me convocou. Por quê? ─ perguntou a mulher.
─ Porque... nem sempre o conselho precisou de uma recepcionista  ─ respondeu Deneb.
─ E por acaso isso é algum crime? O conselho fez uma sapientíssima decisão, se quer saber. Comigo aqui, fica cada vez mais difícil, melhor dizendo, fica impossível que qualquer um entre aqui. O que me faz retornar ao questionamento interno que me fiz há alguns minutos: o que você quer aqui? ─ perguntou a mulher arrogante esquadrinhando cada centímetro do corpo de Deneb com o maior desdém que pôde demonstrar.
─ Certamente vim até aqui para perguntar a eles como preferem o seu chá. O QUE MAIS VOCÊ ACHA QUE EU VIM FAZER AQUI? ─ perguntou Deneb a ela, dessa vez pontuando o final do questionamento com um pesado e sonoro soco na mesa da recepcionista, que se partiu em dois pedaços, derrubando tudo o que estava sobre ela.
─ Vou tornar isto mais simples e civilizado, se me permite ─ disse a mulher levantando e tirando seus pequenos óculos. ─, ou você some daqui agora ou terá que arcar com algumas consequências severas.
─ Minha senhora, com todo respeito, eu não ligo pra nenhum tipo de ameaça, ainda mais quando vinda de alguém tão desagradável. Eu vim até aqui para passar uma informação ao conselho. Uma informação, no mínimo, desastrosa e não será você quem vai me impedir ─ disse Deneb tentando ser o mais cordial e ameaçador quanto fosse possível.
─ Sim, senhor. Serei eu a pessoa que vai impedi-lo de entrar na sala do conselho. Se você queria ter qualquer conversa ─ por mais séria ou casual que fosse ─ com eles, deveria ter marcado horário e ter aguardado pacientemente a convocação oficial dentro de alguns dias...


─ Temos que dar andamento à nomeação dos próximos irmãos. Agora, o que temos que decidir é quem serão os quatro novos irmãos.
─ Eu gostaria de indicar meu irmão Achird. Todos nós sabemos que ele tem grande potencial para ser o próximo Flamma e...
─ E eu acho que essa escolha deveria ser algo votado por toda a cidade e não algo decidido às escuras. Todos nós sabemos o que esse tipo de decisão causou da última vez. Acho que pelo menos desta vez vocês deveriam fazer as coisas da maneira correta.
─ DENEB? O que você está fazendo aqui? Como passou pela recepcionista? ─ perguntou um dos que estavam à mesa.
─ Recepcionista? Qual? Esta aqui? ─ respondeu Deneb materializando o corpo inerte da mulher com quem acabara de ter um confronto. Ela estava com várias partes do corpo ensanguentadas e com suas roupas cheias de marcas de queimaduras.
─ O que você...
Deneb estava diante de vários homens e mulheres elegantemente vestidos e sentados em volta de uma grande mesa circular de madeira extremamente lustrada, em cujo centro jazia o corpo da recepcionista nocauteada após Deneb tê-la lançado contra eles.
O local parecia um templo ao poder. Havia várias estátuas de ouro maciço de homens e mulheres alados em posições heroicas apoiadas nas paredes. Sobre a mesa do conselho, taças do mesmo ouro que as estátuas para cada integrante, com pedras preciosas incrustadas nelas. O ambiente inteiro possuía o brilho do ouro unido ao tom arroxeado do céu, que passava pelas grandes e suntuosas janelas da sala do conselho.
Um dos que estavam sentados à mesa levantou-se e encarou Deneb. Tinha a aparência bem velha e trajava um sobretudo preto por cima do colete prata e da camisa na mesma cor. As calças retas e de fino corte, possuíam o mesmo tom preto do sobretudo.
─ Só me ajude a entender uma coisa: o que você veio fazer aqui depois de tantos anos? ─ perguntou o homem acariciando sua gravata azul-marinho, com seus curtos cabelos muito alvos reluzindo sob a luminosidade arroxeada.
─ Vim fazer um alerta. Um alerta gravíssimo. Temos que nos preparar o mais rápido possível para uma guerra pior do que...
─ Pior do que a que você ajudou a causar? ─ perguntou o homem em tom de vitória, calando Deneb. ─ Meu bom homem, nós temos tudo sob controle. Toda vez que há a transição de velhos irmãos para novos, sempre estamos preparados para... você sabe... essas “intriguinhas”.
─ Intriguinhas... estamos prestes a testemunhar a destruição completa do planeta Terra e você me diz que isto é uma INTRIGUINHA? ─ perguntou Deneb alterando-se novamente.
─ Um momento, planeta Terra? O que você quer dizer? ─ perguntou o homem.
─ Exatamente o que você entendeu Aldebaran. Os quatro irmãos estão novamente em guerra e, dessa vez, o campo de batalha não será Angra. Será o planeta Terra ─ respondeu Deneb.
─ Bem, isto sim é algo grave. Teremos muito prazer em solucionar este problema assim que decidirmos quem serão os próximos quatro irmãos. Quem sabe assim não elegemos espíritos mais responsáveis desta vez ─ respondeu Aldebaran.
─ Eu duvido muito, afinal, a escolha é feita baseada no nível de influência de cada um e não em seus méritos ou em seu caráter. Não me admira que os mesmos quatro irmãos que estão ameaçando destruir um planeta inteiro tenham sido escolhidos por este mesmo conselho! ─ disse Deneb.
─ O que me lembra algo curioso... ah, sim. VOCÊ TAMBÉM FOI ESCOLHIDO POR ESTE MESMO CONSELHO! ─ disse Aldebaran a altos brados, com o dedo em riste para Deneb.
─ Eu me lembro muito bem disso. Lembro-me disso em cada dia da minha existência vazia. Por que você acha que eu nunca mais coloquei os pés em Angra? Foi por vergonha de tudo o que eu fiz! Vergonha de ter sido membro daquela corja! ─ falou Deneb também gritando, fazendo com que os outros presentes se contraíssem incomodados pela gritaria dele e de Aldebaran.
─ É assim que você agradece o favor que eu lhe fiz? Eu que o coloquei dentro do grupo dos irmãos. Eu ajudei a nomeá-lo e é assim que você agradece? ─ perguntou Aldebaran baixando o tom de voz, porém, mantendo uma expressão ameaçadora na face.
─ As coisas mudaram, Aldebaran. Eu já não sou o mesmo de antigamente. Hoje sei o tanto que aquilo foi errado e não vou mentir: não sou grato sob nenhuma circunstância pela minha nomeação. Você só me ajudou a ser alguém que nem mesmo eu sabia que poderia ser um dia: cego, arrogante e inconsequente. Eu era apenas isso, mais nada ─ respondeu Deneb.
─ Vamos injetar uma dose de honestidade à nossa conversa, certo? Não haja como se agora você fosse a ovelha arrependida. Ninguém muda tão drasticamente de caráter. Apenas aceite que as coisas acontecem porque têm que acontecer. Você não ficou “cego, arrogante e inconsequente” por minha causa ou por causa da sua nomeação, você era “cego, arrogante e inconsequente”. Não por minha causa, era algo de dentro, de dentro de você ─ disse Aldebaran.
─ Não importa o que eu fui ou o que eu sou agora, o que importa é o que vamos fazer para impedir os quatro irmãos de destruírem a Terra ─ falou Deneb.
─ Bem, eu, enquanto presidente deste conselho, sugiro que retomemos o plano inicial: nomearemos os novos irmãos e as coisas se acertarão sozinhas depois ─ disse Aldebaran.
─ É só isso? Você sugere que façamos APENAS ISSO? ─ perguntou Deneb se aproximando de Aldebaran com a intenção de agarrar-lhe o pescoço.
─ Afaste-se. Não ouse tocar um só dedo imundo seu em mim. O que nós do conselho vamos fazer agora, é exatamente o que acabei de sugerir, aliás, faço da minha sugestão uma ordem. E você só fará uma coisa: sairá pela mesma porta que entrou e deixará isto nas mãos certas. Não se meta mais nesse assunto. Se dessa vez os quatro irmãos resolveram brincar em solo humano, que seja. Antes lá do que aqui novamente. Não tente...
─ Você já parou para pensar por um instante que esta decisão não depende só de você? O que Omnimodus pensaria disto? ─ perguntou Deneb interrompendo Aldebaran.
─ Omnimodus é um espírito falido! Está ficando senil. Não sei se você percebeu, mas, ele deveria estar nesta reunião e onde está? Se escondendo no corpo de um moleque adolescente! ─ disse Aldebaran.
─ Um garoto adolescente que por acaso ajudou a salvar o planeta Terra da invasão de Crudelis! Sim, mesmo eu que fiquei todo esse tempo em reclusão fiquei sabendo. E mais, sei que um exército muito grande foi lutar ao lado do garoto. Você quer me dizer então que estes mesmos espíritos que ajudaram a salvar a Terra vão ser omissos quando aquele planeta está novamente sob ameaça? ─ perguntou Deneb.
─ Os que lutaram naquela batalha não passavam de fanáticos! Arriscaram-se numa luta estúpida e inútil. Aquele planeta já se condena por anos. Crudelis estava fazendo apenas um favor! ─ respondeu Aldebaran.
─ Falando assim você até parece estar do lado de Crudelis... ─ disse Deneb.
─ Estou do lado do bom senso. O mesmo bom senso que me faz insistir em manter o plano. Se os quatro irmãos entrarem num conflito real, veremos o que podemos fazer, mas, enquanto isso trataremos das formalidades, o que é, aliás, nosso trabalho. ─ respondeu Aldebaran.
─ O que você está fazendo é um grande erro. Omnimodus saberá disso e você terá que se explicar... ─ falou Deneb.
─ Não tenho medo de Omnimodus. Ele é o rei, mas, sabe que precisa deste conselho para ajudá-lo a resolver suas pendências. No final das contas, ele terá que me ouvir e terá que fazer tudo exatamente como o conselho sugerir, afinal, nós estamos aqui para fazer tudo transcorrer da maneira mais correta possível e...
─ Então por que você não me diz agora o que o conselho decidiu sobre como proceder? Como vocês farão tudo transcorrer, como você disse, “da maneira mais correta possível”?
─... O-Omnimodus...
─ Rei Omnimodus, é uma honra vê-lo novamente ─ disse Deneb curvando-se à presença daquele homem de vestes verde-esmeralda à porta.
─ Diga-me Aldebaran, já que você não tem medo de mim e isso eu aprecio , não quero ser temido, e sim, respeitado. Diga-me como o conselho sugere que devamos proceder diante de uma nova guerra iminente? ─ perguntou Omnimodus com o semblante muito sério.
─ Bem, sugiro que continuemos a eleição dos novos irmãos e, se os atuais iniciarem uma batalha interna, avaliaremos a necessidade de uma intervenção... ─ respondeu Aldebaran.
─ Pois eu sugiro que o conselho convoque os quatro irmãos para uma reunião extraordinária para chegarmos a um acordo o mais breve possível e evitarmos perdas. Se eles não concordarem, eu os enviarei para as profundezas de um buraco-negro. É isso que faremos. Não vou cometer o mesmo erro duas vezes. Permiti que este conselho fizesse o que achava mais prudente e agora carregamos uma guerra muito semelhante nas costas! Agora faremos do meu jeito. Depois de resolvida esta situação com os quatro irmãos, colocaremos a nomeação dos próximos irmãos para ser votada entre todos os espíritos do nosso mundo. Ponto ─ disse Omnimodus decidido.
─ Mas, Omnimodus...
─ Nada de “mas”, Aldebaran. Esta conversa e esta reunião estão encerradas ─ Após concluir sua fala, Omnimodus, com um gesto discreto de mão, acordou a recepcionista que, até então, tinha permanecido todo aquele tempo desacordada sobre a mesa do conselho e saiu da sala. No corredor iluminado pelas salamandras azuis, que levava à saída, foi parado por Deneb.
─ Omnimodus, obrigado por concordar comigo. Eu realmente não sabia mais o que dizer para convencer Aldebaran a agir ─ disse Deneb.
─ Muito admirável da sua parte vir até aqui para avisá-los. Grato estou eu. Agora, preciso que você avise a todos os espíritos possíveis para se prepararem para mais uma possível guerra. Não quero que haja nenhuma perda desta vez ─ ordenou Omnimodus.
─ Mais uma coisa... onde está o garoto que ajudou a salvar o planeta Terra e destruiu Crudelis? ─ perguntou Deneb.
─ Para surpresa de todos, está aqui em Angra. E sobre ele ter destruído Crudelis, temo que não seja um fato... ─ disse Omnimodus.
─ Como assim? Então quer dizer que toda aquela batalha foi em vão? ─ perguntou Deneb.
─ Não totalmente. Agora o garoto está mais forte. Caso Crudelis reapareça, ele saberá com certeza o que fazer ─ respondeu Omnimodus.
─ Se você diz... certo, então, vou agora avisar a todos que...
─ Primeiro eu preciso que você vá até a casa do Solis e avise a ele e aos seus amigos o que está acontecendo ─ ordenou Omnimodus, interrompendo Deneb.
─ Ele mora na antiga casa do irmão dele, não é? O Levis. ─ perguntou Deneb.
─ Sim. Avise a ele e ao Otto que mais uma vez o planeta Terra está correndo grave perigo e que, mais uma vez, eles terão que entrar numa guerra para salvá-lo, pois, se não fizermos nada, os humanos não terão a menor chance.

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