A vida bate portas na cara. Ela é extremamente mal educada. Paciência. Você foi criado aprendendo a respeitar as pessoas, a levar as visitas até a porta e lançar ao largo a convenção social: "ainda está cedo, fique mais". É assim. Recebemos educação o suficiente para olhar para a vida e ainda termos que aturar quando ela, friamente, nos bate a porta na cara. Entretanto, nada tem de ser como é. O que é para ser, será quando tiver de ser.
Mas ora, isso não é lançar o futuro a prêmio? Não é lançar sorte sobre o que não precisa dela? Futuro é mais uma mistura de esforço e porta na cara do que de sorte. Ela ajuda, mas não passa de um ratinho traiçoeiro quando quer.
Por isso, recomeçar. É sempre tempo de recomeçar projetos, convicções, dores, amores, felicidades, ideias. Mesmo um começo está sujeito ao recomeço. Mas é claro: se está errado, é necessário fazer o certo. Se quebrou, tem-se que consertar. Caiu? Levante.
O importante é ter sempre a ciência de que, mesmo que a vida lhe bata inúmeras vezes a porta na cara, ainda há um bairro inteiro para se visitar. Um bairro, uma cidade, um país, um mundo. Bata na porta da casa ao lado. Não deu certo? Continue seguindo a rua. Há sempre um anfitrião pronto para lhe receber com um sorriso no rosto dizendo "fique à vontade". E mais: "não repare a bagunça".
Claro que é para reparar. Não só reparar. Fazer parte, fazer arte, gozar do momento em que, enfim, uma porta lhe foi aberta e você pode cruzá-la sem olhar para trás.
Por isso, RECOMEÇAR.
Dias passam e repassam, anos acabam e recomeçam.
Porque não eu?