Esqueça o esquecimento.

Author: Silvair Junior /

Antes que eu me esqueça

ou mesmo pereça
sob o peso de minhas amarguras
quero falar a duras penas
sobre esta coisa pequena 
que tanto fere
e interfere no que somos
ou viremos a ser:
esquecimento.
De lamentos faço 
e desfaço de minha vida
quando percebo que,
sem quê nem pra quê,
deixei de significar algo para alguém.
Penso que é muito fácil esquecer 
do que nunca foi lembrado.
A altos brados grito:
Não me esqueça!
Não deixe que assim eu pereça
sob o peso de minhas amarguras.
Peço sim, muito
sei deste fato
mantenho-me pacato à espera 
daquele abraço terno, que exaspera,
que quando menos noto, 
dele sou devoto
e dele fiz minha força para caminhar.
Antes que eu me esqueça,
quero reaver à memória os amigos que fiz
os amores de um triz
das falhas e êxitos que hoje fazem de mim
feliz.
Quero ser como os primeiros passos,
a primeira palavra
a primeira bicicleta 
o primeiro beijo:
Inesquecível.
Afinal, 
é o que faço daqueles que amo,
e de quem não esqueço.

Faces da lua

Author: Silvair Junior /

Autêntico é o sol. único, soberano.

Somos seu dependente jardim,
de faces e disfarces.
Cada pétala, um eu.
Cada eu, um destino.
Ah, se desde menino 
eu soubesse que a vida 
demanda esta saída
para o bom conviver.
O sol? Esse não precisa ser assim.
Há quem julgue-o por brilhar demais?
Há quem repreenda-o por vida providenciar?
Ah, se eu fosse sol.
Talvez apenas um farol,
sem luz própria, mas guia.
E em meio à calmaria 
do mar ao meu redor,
iluminar-se-ia minha existência dura e fria
de faces e disfarces.
Sou mais como a lua.
Às vezes, minguo 
às vezes, cresço
às vezes, desapareço
às vezes, me renovo.
De multifaces vivo,
e por elas choro.
Imploro por um eu que eu veja e diga:
"Sou eu!"
Assim sigo sempre sob o sol,
despetalando, conformes as estações.
Ostentando sempre a face mais forte.
Quem sabe um dia.
Quem sabe um dia...