Conquista

Author: Silvair Junior /

Fico no aguardo do dia em que meu fardo
far-se-á ao largo.
Poder, não posso pedir tal blasfêmia.
É que de fardo vivo para ao largo fazer-me
Viver de inércia seria, deveras, pior.
Fico no aguardo daquele beijo
que acabará por fenecer
o senso do real,
desvanecer da vida o que é mortal.
Algum igual? Nunca tive.
Dos vários, sequer um semelhante.
Fico no aguardo do dia...
Ah, do dia que fará de todos os outros
continentes à deriva.
Do dia que fará o passado invejar o presente,
pensar no que seria.
Fico no aguardo do sorriso que
mesmo omisso brilha tal qual
a primeira estrela da noite.
Que açoite é esperar por esse sorriso.
Fico no aguardo do calor, quem sabe, humano,
embora eu espere um engano da vida,
que me mande um calor etéreo,
que acabará por fazer de mim, mistério.
Um calor que emane de dentro
e percorra todo o verbo que de minha mão sair.
É que de aguardo, de fardo e de criar eu vivo.
O que há além do que conheço
vem como dádiva:
tenho.
Mereço?

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