Canto com a voz baixa, quase que esvaída.
Ando por baixo do céu contando as estrelas
refletidas nas poças d'água.
Ou não estaria eu andando por debaixo do chão
contando as poças d'água refletidas nas estrelas?
Voo baixo.
Nem asa tenho.
É sensação da liberdade que nunca tive,
da mortandade que nunca vive,
da vivacidade que nunca morre.
É que tornou-se a vida tão errante
quanto as pétalas fenecem após a primavera.
Prima Vera mal sabe que o verão já vai surgindo.
Mal sabe ela que por noites sonho com ela,
pernoites dedico a ela.
É que ver, sentir e até mesmo rir já
não mais pode satisfazer-me.
Quero mais.
Prima Vera mal sabe que nem existe,
é só um triste pensamento meu.
Prima Vera mal sabe que enquanto canto,
enquanto ando,
enquanto voo,
ressoo os sons de outrora.
Daquela outra hora,
daquela ínfima e estúpida hora
em que tudo parou de fazer sentido.
Onde já se viu céu ter estrelas?
Prima Vera
Author: Silvair Junior /
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