Antes que se
pudesse notar, todo aquele caos havia cessado.
O sol estava novamente iluminando aquele dia que estivera calmo até
aqueles eventos ocorrerem. Um calor insuportável chegava a quase sufocar o
homem sob a árvore.
Logo em seguida, um
forte tremor fez com que mais algumas árvores que resistiam de pé despencassem
ao chão, inclusive aquela cuja sombra protegia Deneb. Ele foi obrigado a abrir
suas longas asas e voar para esquivar-se do enorme tronco que ameaçava sua
vida.
O tremor cessou. O
calor amenizou-se.
Cabelos curtos, fios
grisalhos perdidos nos castanho-acinzentados. Olhos tão azuis quanto o céu que
contemplavam, roupas simples e humanas, aparentando apenas a “meia-idade”
terrestre. Este era Deneb. Um espírito herói de guerra, cansado e abatido. As
longas asas exibiam o que pareciam ser áreas queimadas. A asa esquerda possuía
um espaço vazio bem ao centro, permitindo ver o outro lado. Os braços eram
cobertos por inscrições de caligrafia fina e por desenhos estranhos. A certa
distância, as tatuagens pareciam ser alguma camada escura de fuligem em sua
pele.
─ Não vejo isso
acontecer desde... desde... ─ Deneb interrompeu a própria fala grave e rouca
quando se lembrou de tempos remotos. Tempos que temia lembrar, e mais, temia
revivê-los. Algo não estava bem. E ele sabia melhor do que qualquer outro que
aqueles eventos estranhos, eram sinais de que tempos perigosos eram iminentes.
Com as longas e
maculadas asas, Deneb projetou-se para o ar o mais alto que pôde e fez um
movimento displicente de mãos, fazendo algumas nuvens acinzentadas aparecerem e
se juntassem imediatamente sobre sua cabeça. Em seguida, elas abriram-se numa
espécie de portal circular no qual Deneb entrou rapidamente, saindo num lugar
completamente diferente de onde estava.
Com imponência, ele
desceu flutuando lentamente até o chão. Estava numa cidade que não se
assemelhava em nada às cidades no planeta Terra. As casas eram dispostas ora em
círculos, ora em triângulos. Algumas até nem seguiam padrão algum, eram apenas
justapostas ou apinhadas. Os prédios não tinham fim, uniam-se a superfície
arroxeada do céu. Perto dali, um prédio era retorcido num arco que ia quase que
de um extremo a outro da cidade.
─ Olhe só quem veio
visitar a cidade depois de tantos anos! Deneb! ─ disse um homem gordo e baixo
logo atrás de Deneb, com uma alegria que se podia quase sentir.
─ Baham! Faz tanto
tempo desde a última vez que nos vimos! ─ respondeu Deneb dando um caloroso
abraço no homem que o cumprimentara.
─ Que bons ventos o
trazem até Angra tão repentinamente? ─ perguntou Baham.
─ Receio que não
fui trazido até aqui nem por uma brisa solitária de boas notícias... aliás,
trago notícias terríveis... ─ disse Deneb com o semblante exibindo preocupação.
─ Ora, meu amigo! O
que há de tão grave? ─ perguntou Baham mais uma vez.
─ Bom... indo
direto ao ponto, acredito que estamos prestes a enfrentar uma guerra como a que
enfrentamos naquela vez em que eu... ─ Deneb parou de falar. As lembranças em
sua mente o obrigaram mais uma vez a calar-se
─ Deneb, não se
culpe. Já faz muito tempo. E no final das contas, você só tentou ajudar. Fez o
que precisou ser feito. Essas marcas que você carrega no corpo e nas asas são
marcas não de guerra, mas, de heroísmo. Você ajudou a salvar este lugar ─ falou
Baham tentando consolar Deneb.
─ A última vez que
aconteceu foi aqui. Aqui onde há espíritos treinados para situações de risco,
mas, temo que desta vez o campo de batalha seja um planeta muito mais frágil: o
planeta Terra ─ disse Deneb, que prosseguiu o assunto diante da face de espanto
e preocupação estampada no rosto de Baham. ─ Dessa vez, seres humanos sofrerão
as consequências de mais uma de nossas guerras. Não há como os humanos suportarem
o que está por vir... tenho que avisar ao conselho para que eles tomem as
devidas providências.
─ Você vai avisar
ao mesmo conselho que começou isso elegendo aquele bando de gananciosos e
arrogantes? ─ perguntou Baham indignado.
─ Não há alternativa.
Eu estou fraco demais para resolver tudo sozinho e, mesmo que estivesse forte,
a menos que eu fosse convocado, eu não poderia me aventurar numa batalha sem
autorização ─ respondeu Deneb.
─ Faça o que achar
correto, meu amigo, eu o apoiarei no que precisar, mesmo que você esteja indo
de encontro justamente aos culpados por tudo isso estar acontecendo de novo ─
concluiu Baham despedindo-se de Deneb, que levantou voo novamente.
Enquanto voava,
passava por algumas casas ainda mais estranhas: eram inseridas no chão, de modo
que o bairro todo delas parecia ser um vão na cidade com desenhos de casas
vistas de frente. Bem na hora, um homem magro e velho abriu a porta de sua casa
fazendo parecer que ele estava saindo de uma escotilha, abriu suas asas e voou
na direção contrária a Deneb.
Quanto mais Deneb
se aproximava do centro da Cidade, mais via o movimento de espíritos e
espíritas voando para todos os lados.
Deneb pousou na
frente de um majestoso palácio de mármore bege. Era tão alto que parecia
unir-se ao céu arroxeado e tão imponente que sugeria a qualquer desavisado que
não era qualquer um que entrava nele. O espírito materializou uma chave dourada
adornada com pequenas inscrições parecidas com os desenhos nos seus braços, e a
introduziu numa pequena fechadura que surgiu no chão. Ele girou a chave e
afastou-se um pouco, pois, o chão cedeu formando o que parecia ser uma entrada
subterrânea para um porão. Deneb entrou descendo a escada que se formara e se
viu num longo corredor de luminosidade azulada. No teto, incontáveis
salamandras eram responsáveis pela iluminação do local. Ao se olhar para o
teto, elas aparentavam ser pequenas luzes de neon em constante movimento.
O homem seguiu
andando até o fim do longo corredor e se deparou com uma enorme águia de pedra
que, ao ser tocada pela mão de Deneb, ganhou cores e vida. Suas penas eram
negras como a noite, seu bico possuía um brilho acobreado e os olhos lembraram
dois rubis.
─ Identifique-se,
visitante ─ ordenou a águia com uma voz fantasmagórica.
─ Deneb, filho de
Capricornus, mestre condecorado por Omnimodus, ex-irmão, representante da Terra
─ respondeu Deneb.
A águia desapareceu
em meio a uma fumaça negra revelando um portal. Deneb passou por ele e chegou a
um grande salão de mármore extremamente polido, que estaria vazio se não
houvesse apenas uma mulher ranzinza e solitária com os pequenos óculos
equilibrados na ponta do fino e adunco nariz, sentada fazendo anotações nos
inúmeros papéis sobre sua mesa.
─ Olá... eu queria
falar com o... um momento. Desde quando você trabalha aqui? ─ perguntou Deneb
um tanto confuso.
─ Bem, desde que o
conselho me convocou. Por quê? ─ perguntou a mulher.
─ Porque... nem
sempre o conselho precisou de uma recepcionista
─ respondeu Deneb.
─ E por acaso isso
é algum crime? O conselho fez uma sapientíssima decisão, se quer saber. Comigo
aqui, fica cada vez mais difícil, melhor dizendo, fica impossível que qualquer
um entre aqui. O que me faz retornar ao questionamento interno que me fiz há
alguns minutos: o que você quer aqui? ─ perguntou a mulher arrogante
esquadrinhando cada centímetro do corpo de Deneb com o maior desdém que pôde
demonstrar.
─ Certamente vim
até aqui para perguntar a eles como preferem o seu chá. O QUE MAIS VOCÊ ACHA
QUE EU VIM FAZER AQUI? ─ perguntou Deneb a ela, dessa vez pontuando o final do
questionamento com um pesado e sonoro soco na mesa da recepcionista, que se
partiu em dois pedaços, derrubando tudo o que estava sobre ela.
─ Vou tornar isto
mais simples e civilizado, se me permite ─ disse a mulher levantando e tirando
seus pequenos óculos. ─, ou você some daqui agora ou terá que arcar com algumas
consequências severas.
─ Minha senhora,
com todo respeito, eu não ligo pra nenhum tipo de ameaça, ainda mais quando
vinda de alguém tão desagradável. Eu vim até aqui para passar uma informação ao
conselho. Uma informação, no mínimo, desastrosa e não será você quem vai me
impedir ─ disse Deneb tentando ser o mais cordial e ameaçador quanto fosse
possível.
─ Sim, senhor. Serei
eu a pessoa que vai impedi-lo de entrar na sala do conselho. Se você queria ter
qualquer conversa ─ por mais séria ou casual que fosse ─ com eles, deveria ter
marcado horário e ter aguardado pacientemente a convocação oficial dentro de
alguns dias...
─ Temos que dar
andamento à nomeação dos próximos irmãos. Agora, o que temos que decidir é quem
serão os quatro novos irmãos.
─ Eu gostaria de
indicar meu irmão Achird. Todos nós sabemos que ele tem grande potencial para
ser o próximo Flamma e...
─ E eu acho que
essa escolha deveria ser algo votado por toda a cidade e não algo decidido às
escuras. Todos nós sabemos o que esse tipo de decisão causou da última vez.
Acho que pelo menos desta vez vocês deveriam fazer as coisas da maneira
correta.
─ DENEB? O que você
está fazendo aqui? Como passou pela recepcionista? ─ perguntou um dos que
estavam à mesa.
─ Recepcionista?
Qual? Esta aqui? ─ respondeu Deneb materializando o corpo inerte da mulher com
quem acabara de ter um confronto. Ela estava com várias partes do corpo
ensanguentadas e com suas roupas cheias de marcas de queimaduras.
─ O que você...
Deneb estava diante
de vários homens e mulheres elegantemente vestidos e sentados em volta de uma
grande mesa circular de madeira extremamente lustrada, em cujo centro jazia o
corpo da recepcionista nocauteada após Deneb tê-la lançado contra eles.
O local parecia um
templo ao poder. Havia várias estátuas de ouro maciço de homens e mulheres
alados em posições heroicas apoiadas nas paredes. Sobre a mesa do conselho,
taças do mesmo ouro que as estátuas para cada integrante, com pedras preciosas
incrustadas nelas. O ambiente inteiro possuía o brilho do ouro unido ao tom
arroxeado do céu, que passava pelas grandes e suntuosas janelas da sala do
conselho.
Um dos que estavam
sentados à mesa levantou-se e encarou Deneb. Tinha a aparência bem velha e trajava
um sobretudo preto por cima do colete prata e da camisa na mesma cor. As calças
retas e de fino corte, possuíam o mesmo tom preto do sobretudo.
─ Só me ajude a
entender uma coisa: o que você veio fazer aqui depois de tantos anos? ─
perguntou o homem acariciando sua gravata azul-marinho, com seus curtos cabelos
muito alvos reluzindo sob a luminosidade arroxeada.
─ Vim fazer um
alerta. Um alerta gravíssimo. Temos que nos preparar o mais rápido possível
para uma guerra pior do que...
─ Pior do que a que
você ajudou a causar? ─ perguntou o homem em tom de vitória, calando Deneb. ─
Meu bom homem, nós temos tudo sob controle. Toda vez que há a transição de
velhos irmãos para novos, sempre estamos preparados para... você sabe... essas
“intriguinhas”.
─ Intriguinhas... estamos
prestes a testemunhar a destruição completa do planeta Terra e você me diz que
isto é uma INTRIGUINHA? ─ perguntou Deneb alterando-se novamente.
─ Um momento,
planeta Terra? O que você quer dizer? ─ perguntou o homem.
─ Exatamente o que
você entendeu Aldebaran. Os quatro irmãos estão novamente em guerra e, dessa
vez, o campo de batalha não será Angra. Será o planeta Terra ─ respondeu Deneb.
─ Bem, isto sim é
algo grave. Teremos muito prazer em solucionar este problema assim que
decidirmos quem serão os próximos quatro irmãos. Quem sabe assim não elegemos
espíritos mais responsáveis desta vez ─ respondeu Aldebaran.
─ Eu duvido muito,
afinal, a escolha é feita baseada no nível de influência de cada um e não em
seus méritos ou em seu caráter. Não me admira que os mesmos quatro irmãos que
estão ameaçando destruir um planeta inteiro tenham sido escolhidos por este
mesmo conselho! ─ disse Deneb.
─ O que me lembra
algo curioso... ah, sim. VOCÊ TAMBÉM FOI ESCOLHIDO POR ESTE MESMO CONSELHO! ─
disse Aldebaran a altos brados, com o dedo em riste para Deneb.
─ Eu me lembro
muito bem disso. Lembro-me disso em cada dia da minha existência vazia. Por que
você acha que eu nunca mais coloquei os pés em Angra? Foi por vergonha de tudo
o que eu fiz! Vergonha de ter sido membro daquela corja! ─ falou Deneb também
gritando, fazendo com que os outros presentes se contraíssem incomodados pela
gritaria dele e de Aldebaran.
─ É assim que você
agradece o favor que eu lhe fiz? Eu que o coloquei dentro do grupo dos irmãos.
Eu ajudei a nomeá-lo e é assim que você agradece? ─ perguntou Aldebaran baixando
o tom de voz, porém, mantendo uma expressão ameaçadora na face.
─ As coisas mudaram,
Aldebaran. Eu já não sou o mesmo de antigamente. Hoje sei o tanto que aquilo
foi errado e não vou mentir: não sou grato sob nenhuma circunstância pela minha
nomeação. Você só me ajudou a ser alguém que nem mesmo eu sabia que poderia ser
um dia: cego, arrogante e inconsequente. Eu era apenas isso, mais nada ─
respondeu Deneb.
─ Vamos injetar uma
dose de honestidade à nossa conversa, certo? Não haja como se agora você fosse a
ovelha arrependida. Ninguém muda tão drasticamente de caráter. Apenas aceite
que as coisas acontecem porque têm que acontecer. Você não ficou “cego,
arrogante e inconsequente” por minha causa ou por causa da sua nomeação, você era “cego, arrogante e inconsequente”. Não
por minha causa, era algo de dentro, de dentro de você ─ disse Aldebaran.
─ Não importa o que
eu fui ou o que eu sou agora, o que importa é o que vamos fazer para impedir os
quatro irmãos de destruírem a Terra ─ falou Deneb.
─ Bem, eu, enquanto
presidente deste conselho, sugiro que retomemos o plano inicial: nomearemos os
novos irmãos e as coisas se acertarão sozinhas depois ─ disse Aldebaran.
─ É só isso? Você
sugere que façamos APENAS ISSO? ─ perguntou Deneb se aproximando de Aldebaran
com a intenção de agarrar-lhe o pescoço.
─ Afaste-se. Não
ouse tocar um só dedo imundo seu em mim. O que nós do conselho vamos fazer
agora, é exatamente o que acabei de sugerir, aliás, faço da minha sugestão uma
ordem. E você só fará uma coisa: sairá pela mesma porta que entrou e deixará
isto nas mãos certas. Não se meta mais nesse assunto. Se dessa vez os quatro
irmãos resolveram brincar em solo humano, que seja. Antes lá do que aqui
novamente. Não tente...
─ Você já parou
para pensar por um instante que esta decisão não depende só de você? O que
Omnimodus pensaria disto? ─ perguntou Deneb interrompendo Aldebaran.
─ Omnimodus é um
espírito falido! Está ficando senil. Não sei se você percebeu, mas, ele deveria
estar nesta reunião e onde está? Se escondendo no corpo de um moleque
adolescente! ─ disse Aldebaran.
─ Um garoto
adolescente que por acaso ajudou a salvar o planeta Terra da invasão de
Crudelis! Sim, mesmo eu que fiquei todo esse tempo em reclusão fiquei sabendo.
E mais, sei que um exército muito grande foi lutar ao lado do garoto. Você quer
me dizer então que estes mesmos espíritos que ajudaram a salvar a Terra vão ser
omissos quando aquele planeta está novamente sob ameaça? ─ perguntou Deneb.
─ Os que lutaram
naquela batalha não passavam de fanáticos! Arriscaram-se numa luta estúpida e
inútil. Aquele planeta já se condena por anos. Crudelis estava fazendo apenas
um favor! ─ respondeu Aldebaran.
─ Falando assim
você até parece estar do lado de Crudelis... ─ disse Deneb.
─ Estou do lado do
bom senso. O mesmo bom senso que me faz insistir em manter o plano. Se os
quatro irmãos entrarem num conflito real, veremos o que podemos fazer, mas,
enquanto isso trataremos das formalidades, o que é, aliás, nosso trabalho. ─
respondeu Aldebaran.
─ O que você está
fazendo é um grande erro. Omnimodus saberá disso e você terá que se explicar...
─ falou Deneb.
─ Não tenho medo de
Omnimodus. Ele é o rei, mas, sabe que precisa deste conselho para ajudá-lo a
resolver suas pendências. No final das contas, ele terá que me ouvir e terá que
fazer tudo exatamente como o conselho sugerir, afinal, nós estamos aqui para
fazer tudo transcorrer da maneira mais correta possível e...
─ Então por que
você não me diz agora o que o conselho decidiu sobre como proceder? Como vocês
farão tudo transcorrer, como você disse, “da maneira mais correta possível”?
─... O-Omnimodus...
─ Rei Omnimodus, é
uma honra vê-lo novamente ─ disse Deneb curvando-se à presença daquele homem de
vestes verde-esmeralda à porta.
─ Diga-me
Aldebaran, já que você não tem medo de mim ─
e isso eu aprecio ─, não quero ser temido, e sim,
respeitado. Diga-me como o conselho sugere que devamos proceder diante de uma
nova guerra iminente? ─ perguntou Omnimodus com o semblante muito sério.
─ Bem, sugiro que
continuemos a eleição dos novos irmãos e, se os atuais iniciarem uma batalha
interna, avaliaremos a necessidade de uma intervenção... ─ respondeu Aldebaran.
─ Pois eu sugiro
que o conselho convoque os quatro irmãos para uma reunião extraordinária para
chegarmos a um acordo o mais breve possível e evitarmos perdas. Se eles não
concordarem, eu os enviarei para as profundezas de um buraco-negro. É isso que
faremos. Não vou cometer o mesmo erro duas vezes. Permiti que este conselho fizesse
o que achava mais prudente e agora carregamos uma guerra muito semelhante nas
costas! Agora faremos do meu jeito. Depois de resolvida esta situação com os
quatro irmãos, colocaremos a nomeação dos próximos irmãos para ser votada entre
todos os espíritos do nosso mundo. Ponto ─ disse Omnimodus decidido.
─ Mas, Omnimodus...
─ Nada de “mas”,
Aldebaran. Esta conversa e esta reunião estão encerradas ─ Após concluir sua
fala, Omnimodus, com um gesto discreto de mão, acordou a recepcionista que, até
então, tinha permanecido todo aquele tempo desacordada sobre a mesa do conselho
e saiu da sala. No corredor iluminado pelas salamandras azuis, que levava à
saída, foi parado por Deneb.
─ Omnimodus, obrigado
por concordar comigo. Eu realmente não sabia mais o que dizer para convencer
Aldebaran a agir ─ disse Deneb.
─ Muito admirável
da sua parte vir até aqui para avisá-los. Grato estou eu. Agora, preciso que
você avise a todos os espíritos possíveis para se prepararem para mais uma
possível guerra. Não quero que haja nenhuma perda desta vez ─ ordenou
Omnimodus.
─ Mais uma coisa...
onde está o garoto que ajudou a salvar o planeta Terra e destruiu Crudelis? ─
perguntou Deneb.
─ Para surpresa de
todos, está aqui em Angra. E sobre ele ter destruído Crudelis, temo que não
seja um fato... ─ disse Omnimodus.
─ Como assim? Então
quer dizer que toda aquela batalha foi em vão? ─ perguntou Deneb.
─ Não totalmente.
Agora o garoto está mais forte. Caso Crudelis reapareça, ele saberá com certeza
o que fazer ─ respondeu Omnimodus.
─ Se você diz... certo,
então, vou agora avisar a todos que...
─ Primeiro eu
preciso que você vá até a casa do Solis e avise a ele e aos seus amigos o que
está acontecendo ─ ordenou Omnimodus, interrompendo Deneb.
─ Ele mora na
antiga casa do irmão dele, não é? O Levis. ─ perguntou Deneb.
─ Sim. Avise a ele
e ao Otto que mais uma vez o planeta Terra está correndo grave perigo e que,
mais uma vez, eles terão que entrar numa guerra para salvá-lo, pois, se não
fizermos nada, os humanos não terão a menor chance.