Fiz de tudo e mais um pouco, de fato
Que fizera eu pra não mais prover
Do que dera Deus: o dom de escrever?
De rima ou prosa, não mais arrebato
Que fazer quando só ideia pouca
Emerge do poço já ressequido
Onde houve vida, nem um alarido
A voz que muito bradou, hoje rouca
Que viva eu só de instante e complacência
Já que deste lirismo não mais sorvo
Sobrando de glória antiga, a demência
Já dei ao mundo o verbo, hoje estorvo
De mais inerte eis que agora absorvo
De poetas reais a inteligência.
(J.Freitas)

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